As barricadas constituem um dos artefatos urbanos mais persistentes da história política, social e criminal contemporânea. Ao longo dos séculos, assumiram formas, funções e significados distintos, oscilando entre instrumento de contestação estatal, artefato revolucionário, mecanismo de defesa comunitária e, mais recentemente, dispositivo de controle territorial por grupos armados não estatais. Na literatura internacional, seu uso remonta às primeiras insurreições urbanas europeias, sobretudo em Paris, onde os “barriques” se tornaram símbolos de resistência popular durante as Revoluções de 1588, 1789 e 18482. Entretanto, no Brasil contemporâneo e especialmente no estado do Rio de Janeiro as barricadas se desvincularam de sua natureza política originária e passaram a operar como instrumentos de regulação territorial e controle social, capazes de reorganizar profundamente a dinâmica da vida cotidiana em áreas vulneráveis.